12-08-2025 | Publicado por Joaquín Martí
Esta é uma versão em português traduzida automaticamente. Pode aceder às versões originais em espanhol ou inglês, se preferir. O artigo baseia-se amplamente num texto publicado na Scientific American a 2 de outubro de 2024.
A Microsoft anunciou, em 20 de setembro, um contrato de 20 anos para comprar energia de uma central nuclear desativada: Three Mile Island — a instalação que, em 1979, sofreu uma fusão parcial num dos seus reatores. A decisão, que simboliza a crescente necessidade das gigantes tecnológicas de alimentar os seus esforços em inteligência artificial (IA), levanta questões sobre como reativar centrais nucleares encerradas de forma segura — sobretudo porque Three Mile Island não é a única a regressar à operação.
A central nuclear de Palisades, com capacidade de 805 megawatts, foi encerrada em maio de 2022. No entanto, a sua proprietária, a Holtec International, planeia reabri-la no final de 2025, apoiada por um compromisso de empréstimo condicional de 1,5 mil milhões de dólares do Departamento de Energia dos EUA (DoE), que vê na energia nuclear uma via para ajudar o país a atingir as suas ambiciosas metas climáticas.
Desde 2012, mais de uma dúzia de centrais nucleares fecharam nos Estados Unidos, algumas por razões económicas. Em estados com mercados de eletricidade desregulados e preços altamente voláteis, as centrais menos competitivas tiveram dificuldades em manter-se viáveis. Three Mile Island, propriedade da Constellation Energy, é um exemplo emblemático.
A energia nuclear, que representa cerca de 9% da eletricidade mundial, tem registado algum ressurgimento internacional, mas enfrenta a concorrência de outras fontes de energia, sobretudo as renováveis. Após o desastre de Fukushima Daiichi, em 2011, o Japão suspendeu as operações das suas 48 centrais nucleares, mas está gradualmente a reativá-las. Já a Alemanha anunciou, nesse mesmo ano, o fim da energia nuclear, encerrando as suas últimas três centrais em 2023.
Nos Estados Unidos, a situação pode estar a mudar à medida que empresas tecnológicas constroem enormes centros de dados com necessidades energéticas colossais para alimentar sistemas de IA e outras aplicações, enquanto procuram cumprir as suas metas climáticas. A Microsoft, por exemplo, comprometeu-se a ser carbono-negativa até 2030.
Quando Palisades e Three Mile Island fecharam, os então proprietários emitiram declarações legais a confirmar o encerramento definitivo, embora as licenças de operação continuassem ativas. Three Mile Island, que deverá ser renomeada como Crane Clean Energy Center na sua eventual reabertura, desligou o seu único reator funcional em 2019.
Como os processos de encerramento já tinham sido iniciados e as inspeções de segurança suspensas, reguladores e empresas terão agora de enfrentar um complexo processo de licenciamento, fiscalização e avaliação ambiental para reverter a desativação. Serão necessárias rigorosas verificações de segurança para garantir que as instalações poderão operar de forma segura assim que o combustível nuclear for reintroduzido nos reatores.
Durante a desativação, o combustível radioativo foi removido e armazenado, o que fez com que as centrais deixassem de cumprir várias exigentes especificações técnicas. Restaurar essas normas será uma tarefa complexa. Em Palisades, por exemplo, foram detetados sinais de fissuração por corrosão sob tensão em tubos dos geradores de vapor, em níveis muito superiores aos previstos: 1.163 tubos, de um total de cerca de 16.000, apresentavam esses defeitos.
É improvável que muitos outros reatores desativados sejam reativados, mesmo com a crescente procura por eletricidade de baixo carbono. No entanto, isso não significa que os locais fiquem sem uso. Uma opção é construir reatores avançados — incluindo grandes reatores com melhorias de segurança e pequenos reatores modulares com design inovador — aproveitando a infraestrutura e as linhas de transmissão já existentes.
Isto leva inevitavelmente a questionar: porque é que alguns países optam por encerrar os seus reatores ou se recusam a prolongar a sua vida útil, enquanto outros ponderam recuperar centrais desativadas?